Por deus, como sofro por ser imiscível. Quem dera ser eu uma daquelas pessoas na multidão, quem dera ter minhas opiniões modeladas por um poder maior, ter as opiniões iguais às de todo o mundo.
Como eu queria ser miscível, me misturar facilmente, não ter essa timidez que impede-me de ser mais uma no grupo deles, quem dera ser mais uma pessoa sem conteúdo, ter uma vida normal, não pensar em qual é minha missão neste mundo, não questionar os sistemas, não questionar a mim mesma.
Eu queria ser assim: normal. Queria acordar, tomar o café-da-manhã, ler o jornal, fingir me importar com as notícias quando não entendo nada, ir ao trabalho, fazer tudo que me mandam, voltar para casa, jantar vendo novela, ficar sabendo das fofocas dos famosos e me importar com isso sim.
Mas não, teimo em não ficar no meio da multidão, teimo em ter opinião própria e em ignorar o poder.
Continuo na teimosia de não me misturar, ficar em meu canto lendo algo ou aparentemente sem fazer nada, mas, no fundo, pensando em tanta coisa que não daria nem tempo de escrever aqui. Teimo em ser diferente, em questionar o mundo, teimo em não seguir o protocolo, teimo em ler os jornais e refletir sobre o que li, teimo em pensar.
É, como eu gosto de ser imiscível.
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