quarta-feira, 4 de maio de 2011

Primeiro de março de dois mil e sete.

Hoje passei por um lugar que marcava a data de primeiro de março de dois mil e sete. Sei que era um computador que havia tido um problema ou qualquer outra coisa, mas mesmo assim comecei a pensar sobre isso.
Eu sei, primeiro de março de dois mil e sete já se foi há mil quinhentos e vinte e cinco dias atrás, mas o que me importa não é o tempo, e sim o dia. O que eu era em primeiro de março de dois mil e sete? O que eu sentia em primeiro de março de dois mil e sete? Onde eu estava em primeiro de março de dois mil e sete? Quem era você em primeiro de março de dois mil e sete?
Eu sei, foi há quatro anos, mas me parece bem mais. Primeiro de março de dois mil e sete era outra vida para mim, outro mundo. A Sofia de hoje estaria naquela de primeiro de março de dois mil e sete? E aquela Sofia, subsiste em mim ainda hoje?
Eu não sei, só queria saber se eu poderia ter feito algo em primeiro de março de dois mil e sete para mudar tudo, se o mundo poderia ser diferente se eu fosse diferente naquele dia.
Eu não sei, nem nunca saberei.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O problema é meu.

Existem problemas. Existem problemas matemáticos, problemas psicológicos, problemas físicos e também problemas filosóficos. Existem probleminhas, problemas comuns e problemões. Mas o grande problema é que existem problemas sempre. E eles continuarão a existir.
E é simples assim, o problema é meu, seu e nosso. Ele está por todas as partes, pode reparar, sempre temos problemas, o tempo todo. Por mais que solucionemos um, outros dez vem logo em seguida, podem não ser tão grandes ou intensos como o anterior, mas ainda assim são problemáticos.
E é sempre assim, os problemas nunca acabam. Nós nunca vamos dormir calmos, nunca a nossa cabeça está vazia, sem preocupação alguma. E parece que é pra ser assim, parece que não podemos pensar direito, que sempre temos de estar ocupados.
Em suma, problemas são problemáticos, e se não gostaram do texto, o problema é meu se tenho problemas com esse tipo de assunto.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A menina e a rotina.

Essa é a história de uma menina que todos os dias fazia tudo igual. Ela acordava, escovava os dentes, saía de casa, ia para a escola e para o curso, dentre outras coisas.
Mas em um dia, tudo mudou, - ou pareceu mudar - ela já havia ido dormir com a sensação de que o dia seguinte seria um dia diferente e que faria com que ele valesse a pena. Foi então que acordou com um senso crítico do tamanho do mundo. Ao levantar-se, perguntou por que tinha de sempre ser naquele horário, por que não haveria de acordar um pouco mais tarde e ter horas a mais de descanso, ou acordar mais cedo para aproveitar melhor o dia. Depois foi ao banheiro, escovou os dentes, dessa vez sem tanta crítica, a higiene bucal é coisa séria e sem muitas falhas na sociedade de hoje. Depois vestiu-se com o uniforme da escola, tentando entender o porquê de ter de vestir-se igual a todos. Era para que fossem etiquetados? Ou não queriam que alguém se destacasse, não queriam uma liderança que chamasse a atenção? Não conseguiu uma resposta clara, apenas vestiu-se como fazia todos os dias.
Desceu as escadas em direção à cozinha, ia tomar o café-da-manhã, e, seguindo a regra do dia, questionou o seu lanche. Por que pão em lugar de cereal? Por que ela tinha algo para comer e pessoas na rua não? O que os diferenciava? Não eram ambos humanos? Por fim engoliu o pão, ainda a indagar.
Foi à escola pelo caminho de sempre, mas curiosa quanto aos outros caminhos. Aonde levariam? Haveria um atalho para a escola? Algum daqueles caminhos a levaria para um outro lugar, um lugar livre daquelas preocupações e, sobretudo, livre daquelas perguntas?
Minutos depois chegou à escola, cumprimentou seus amigos e não amigos e foi para a classe. Por que aula de física? Ela preferia uma aula de algo mais humano, como filosofia ou algo no tipo. Mas não, teria de ver física e depois química, não porque queria, mas porque devia. Encarou as aulas com muito desânimo e com ainda mais reprovação. Foi ao intervalo, mas estava cansada dele às nove e trinta, adoraria um intervalo que começasse mais tarde, e de preferência com uma duração maior, apenas por aquele dia, em outros ele podia até ser extinguido, nesse caso apenas quando a aula estivesse boa e ela quisesse prolongar o assunto. Todavia, as coisas não são do jeito que nós queremos, e ela teve de lidar com o intervalo rotineiro. Depois dele foi mais do mesmo. Até que chegou a hora da saída, aqui não havia muito o que se criticar, apenas o mesmo do intervalo, poderia ser liberada mais cedo algumas vezes e noutras preferia ficar pelo resto do dia na escola. Foi para casa, almoçou, querendo saber porque era isto e não aquilo, como sempre.
Chegou a hora de seu curso de inglês. Nesse dia, como já era rotineiro, não estava disposta a ir com o de sempre, só por hoje ela queria ter aula de outra língua, queria ter aula de francês. Mas não podia, estava presa a um protocolo. Pelo menos routine vale tanto para o inglês quanto para a língua francesa.
A tarde começava a se despedir e dar lugar à noite quando ela chegou em casa. Estava cansada mas não parava. Foi fazer lição, contra sua vontade, queria sim escrever, mas não sobre Getúlio Vargas, queria fazer um ensaio, uma crítica sobre toda sua rotina, mas não o fez.
Jantou com a mesma crítica do café-da-manhã e do almoço. Satisfeita, escovou os dentes e foi dormir, com um gosto de satisfação na boca. Ela não havia reparado em quanto havia mudado naquele rotineiro dia. Amanhã seria um dia diferente, e ela o faria valer.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ensaio sobre o álcool.

O álcool, que vem do árabe al-kohul, é um composto orgânico que apresenta em sua estrutura uma ou mais hidroxilas ligadas a carbonos saturados.
Certo, a partir disso pode-se entender o que é um álcool. Mas não é disso que eu quero tratar neste texto. Eu quero tratar de meu asco pelo álcool. Antes de tudo, que fique claro que vou criticar um álcool em particular, o nosso querido etanol. Não por causa de seu contínuo aumento de preço nos postos do Brasil, nada disso, vou criticá-lo enquanto parte integrante de bebidas alcoólicas.
Assim, pode concluir-se que minha crítica volta-se às bebidas alcoólicas. Portanto, vou aos argumentos. Tenho apenas dois motivos para não gostar do álcool, mas são suficientes para um quase ódio.
O primeiro motivo é apenas um capricho, literalmente um gosto. Simplesmente não gosto do sabor do álcool, tomei apenas para experimentar e naquelas balas de licor. Detestei em ambas as ocasiões.
A segunda razão não está no álcool em si, está no que ele causa nas pessoas. Eu realmente odeio pessoas bêbadas. Ao beber as pessoas ficam completamente idiotas, e, como é de conhecimento de alguns, não gosto da idiotia, sobretudo da proposital. E visto que a pessoa tomou o álcool por conta própria ela tinha consciência do que fazia e, assim, caracteriza-se uma idiotia proposital. Outra coisa que me dá desgosto do álcool, ainda no assunto dos efeitos físicos e psicológicos que ele inflige na pessoa que o ingere em demasia, são os acidentes decorrentes da falta de consciência que há no alcoolizado. Entristece-me bastante ver tantas pessoas perdendo suas vidas por culpa de outras que, por terem exagerado na ingestão de bebidas alcoólicas, acabaram tendo seus sentidos e coordenação motora debilitados.
Por fim, quero dizer que não desgosto das pessoas que bebem álcool, sei que é um gosto e o respeito. Apenas espero que tenham consciência e que não exagerem ao beber.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Eu não morri.

Título auto-explicativo. Mas apenas queria deixar bem claro que não, eu não morri, apenas tive de me distanciar dos meus ensaios e contos para dar maior atenção a outras coisas diversas, tais como escola, algo parecido com uma vida social, curso e mais escola. Porém, agora vem a boa notícia: estou com um certo tempo livre novamente e, depois desse exílio, prometo-lhes que voltei com ainda mais ânsia de escrever e, também nesse exílio, consegui coisas para criticar.
Eu não morri, apenas me exilei por um tempo. E eu juro que fez bem, abre a mente, faz com que se esqueça do mundo real, dá outras visões de mundo. É bom viver um pouco, ser a arte, e não escrevê-la, e, depois de tudo, poder escrever sobre tudo que se viveu.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O homem.

Odeio o homem, honestamente. Não a um homem em particular, nem aos indivíduos do sexo masculino, não. Odeio o homem no sentido de humanidade, odeio o ser humano, e esse não é um pensamento misantropo, longe disso, adoro a presença de humanos, e gosto de alguns, mas odeio o ser humano.
Pois bem, odeio o homem porque ele é tão desenvolvido. Odeio a maneira como ele se desenvolveu, odeio todo esse intelecto que o homem tem.
O homem se desenvolveu tanto mas acabou se tornando um ser passional, e paixões, sentimentos e derivados nunca são bons. A partir daquele conceito de razão versus emoção, é fácil concluir que quando se tem emoção demais a razão acaba faltando. E sem razão não se vai a lugar algum.
Sendo assim, o homem deve sim ter emoções, porque alguém sem emoções é alguém completamente infeliz e, por vezes, alguém sem compaixão. Porém, o homem não pode ser apenas sentimental, ele precisa saber o limite do seu sentimentalismo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A menina em lágrimas.

Havia cá perto, pelas ruas de minha querida Curitiba, uma garota que sempre estava a chorar. Essa é a história dessa garota.
Todos os dias ela andava pela cidade, vestia-se bem, era bonita e tinha por volta de quinze anos de idade. Diziam até que vinha de família nobre, mas eram apenas boatos curitibanos. Como já disse, era bonita. Tinha cabelos negros e a pele pálida, para coroar sua beleza, um par de olhos esmeraldinos. Os seus cabelos cor de ébano iam até os ombros e ela tinha uma delicada franja que emoldurava seu rosto, eles contrastavam com a sua   ebúrnea pele. Ela era magra, sem exagerar, e seus traços também eram finos, ela era uma garota lânguida por natureza. Não era alta, nem baixa. Em suma, ela era linda.
Mas não chamava atenção dos outros graças à sua beleza. Ela chamava atenção por sua melancolia. Por todas ruas que passava, estava sempre a chorar. No verão e no inverno, sempre a chorar. Durante a chuva suas lágrimas misturavam-se com as gotas que caíam.
Os tempos foram passando e as pessoas passaram a notar a tristeza da menina. Alguns se preocupavam com ela, outros diziam que era sentimental demais, que estava apenas a fazer um drama. Mas, gostando ou não, as pessoas passaram a percebê-la.
Mas um garoto a notava especialmente. Ele fazia parte do grupo que tinha dó da moça, e se preocupava de uma maneira única porque, diferente dos outros, ele queria saber o porquê do choro da garota. Ele sabia que era algo realmente sério, se estava disposto a descobrir.
Certo dia, o rapaz foi atrás da chorosa garota, encontrou-a a chorar sentada no gramado, em meio ao Parque Barigüi. Aproximou-se dela e disse.
- Oi, espero não estar te incomodando, é que eu tenho te observado há um tempo e...
- Saia daqui, por favor. - repeliu a garota.
- Não, é que eu queria saber...
- Por favor, suma da minha frente, eu sei que você é só mais um daqueles que vêm aqui zombar de mim e chamar-me de chorona .
- Não, você entendeu tudo errado, eu não gosto daqueles idiotas, fico triste quando lhe fazem essas coisas, de verdade.
- É, vendo direito você não parece um mau garoto, o que quer então? Veio cuidar de mim? Saiba que estou bem assim, não preciso disso.
- Não, não estou aqui para cuidar de ti ou salvar tua vida. Queria apenas saber por que chora tanto.
E ela lhe respondeu, era algo sobre o porquê de estarmos aqui, aonde vamos e de onde viemos. Todas essas perguntas profundas que todo mundo quer saber a resposta mas ninguém sabe explicar. E hoje em dia eu nunca mais a vejo, mas há um rapazinho que chora tanto, e dele tenho tanto dó.