quinta-feira, 31 de março de 2011

A menina em lágrimas.

Havia cá perto, pelas ruas de minha querida Curitiba, uma garota que sempre estava a chorar. Essa é a história dessa garota.
Todos os dias ela andava pela cidade, vestia-se bem, era bonita e tinha por volta de quinze anos de idade. Diziam até que vinha de família nobre, mas eram apenas boatos curitibanos. Como já disse, era bonita. Tinha cabelos negros e a pele pálida, para coroar sua beleza, um par de olhos esmeraldinos. Os seus cabelos cor de ébano iam até os ombros e ela tinha uma delicada franja que emoldurava seu rosto, eles contrastavam com a sua   ebúrnea pele. Ela era magra, sem exagerar, e seus traços também eram finos, ela era uma garota lânguida por natureza. Não era alta, nem baixa. Em suma, ela era linda.
Mas não chamava atenção dos outros graças à sua beleza. Ela chamava atenção por sua melancolia. Por todas ruas que passava, estava sempre a chorar. No verão e no inverno, sempre a chorar. Durante a chuva suas lágrimas misturavam-se com as gotas que caíam.
Os tempos foram passando e as pessoas passaram a notar a tristeza da menina. Alguns se preocupavam com ela, outros diziam que era sentimental demais, que estava apenas a fazer um drama. Mas, gostando ou não, as pessoas passaram a percebê-la.
Mas um garoto a notava especialmente. Ele fazia parte do grupo que tinha dó da moça, e se preocupava de uma maneira única porque, diferente dos outros, ele queria saber o porquê do choro da garota. Ele sabia que era algo realmente sério, se estava disposto a descobrir.
Certo dia, o rapaz foi atrás da chorosa garota, encontrou-a a chorar sentada no gramado, em meio ao Parque Barigüi. Aproximou-se dela e disse.
- Oi, espero não estar te incomodando, é que eu tenho te observado há um tempo e...
- Saia daqui, por favor. - repeliu a garota.
- Não, é que eu queria saber...
- Por favor, suma da minha frente, eu sei que você é só mais um daqueles que vêm aqui zombar de mim e chamar-me de chorona .
- Não, você entendeu tudo errado, eu não gosto daqueles idiotas, fico triste quando lhe fazem essas coisas, de verdade.
- É, vendo direito você não parece um mau garoto, o que quer então? Veio cuidar de mim? Saiba que estou bem assim, não preciso disso.
- Não, não estou aqui para cuidar de ti ou salvar tua vida. Queria apenas saber por que chora tanto.
E ela lhe respondeu, era algo sobre o porquê de estarmos aqui, aonde vamos e de onde viemos. Todas essas perguntas profundas que todo mundo quer saber a resposta mas ninguém sabe explicar. E hoje em dia eu nunca mais a vejo, mas há um rapazinho que chora tanto, e dele tenho tanto dó.

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