quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A história do garoto que sabia demais.

Era uma vez, a nenhum tempo atrás, um garoto que era muito, mas muito mesmo, infeliz. Toda infelicidade dele vinha de um simples fato: ele sabia demais. Ele não tinha aquela pequena bênção que muitos têm, a ignorância.
Ele não era  feliz porque diferentemente daquele pequeno neném que estava apenas conhecendo o mundo, ele já sabia o que era um cachorro e um carro (ou au-au e bi-bi, respectivamente), aquilo tudo não era novo para ele, ele já sabia para que aquelas coisas serviam e já até havia cansado-se daquilo.
Ele não era feliz porque não conseguia ter um relacionamento com aquela doce e amável moça cândida. E ele não conseguira porque já sabia que ela não o amava realmente, ele sabia que ela o machucaria, ele não era mais um ignorante que entraria de cabeça naquela relação acreditando que ela o amaria.
Ele não era feliz porque sabia onde o poder era exercido na realidade. Ele sabia que grande parte das pessoas mais poderosas do mundo não passavam de imagens, de "atores" que apenas estavam entretendo o grande público. E mais do que tudo isso, ele sabia que isso não podia ser mudado.
Ele não era feliz porque pensava demais nas coisas. Ele não via uma flor apenas como uma flor, ele não sabia apreciar a simplicidade da flor. Ao ver a flor ele pensava no androceu e no gineceu (isso quando não apelava para a significação poética e de todos os sentidos que a palavra flor pode tomar). Ele pensava demais, ele não sabia apenas aproveitar.
Mas, sabendo tudo isso, ele não era feliz por quê?

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